domingo, 11 de dezembro de 2011

NATAL...



Que há afinal de tão belo num dia comum
Onde morrem pessoas adultas, crianças e idosos?
A vida continua sofrida para qualquer um
Apenas a mesa mais farta para meros simplórios.

As horas ainda passam arrastadas para quem vai ficar
E correm apressadas nas malas que precisam partir
O sol continua o instrumento de cancerizar
A pele cansada daquele que não tem pra onde ir.

As chuvas inundam os sonhos da casa ideal
A seca extingue o jardim no solo sem vida
O vento desnuda a paisagem excepcional  
Da Terra que vive encoberta de sangue e mentira.

Os dias serão sempre os mesmo a comemorar
Onde um sempre morre para outro sobreviver
Assim nascerão os herdeiros que irão nos lembrar
Nas cruzes fincadas no solo em que vamos morrer...

Vanessa Rodrigues. 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

MESQUINHO QUERER




Não há felicidade capaz de iludir
Um coração vazio, descrente de paixão
O amor é como o orgasmo: segundos a sorrir
Vencido pela força da intensa solidão.


Deixar que tuas mãos tocassem o meu corpo
Assim como minha a alma, feriu meu coração.
Ter sido tua amante causou-me um estranho gosto
Azedo de mentiras e amargo de ilusão.


(Vanessa Rodrigues)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

INCRÉDULO




Minha palavra é tudo que sou eu
E nada tenho neste instante pra dizer
Desconfiar que este amor não é só teu
Só mostrará que nada em ti posso colher.

Se eu pudesse imaginar tua fortuna
Não perderia o meu tempo a te encontrar
Para deitar em tua cama e ser mais uma
Das mil mulheres que jamais vais confiar....

(Vanessa Rodrigues)

domingo, 11 de setembro de 2011

GRITOS IMPUROS



Sob os pés desta desdita está teu corpo
Aguardando que a terra o consuma.
Quantos palmos me separam do teu rosto,
Quanto tempo levará pra que eu descubra?

Já não sinto os meus dedos mutilados
Já não sei de quem é o sangue em minhas unhas
O perfume do teu corpo está mudado
Não recordo destas pálpebras tão fundas.

Tua pele está tão pálida e fria
Teus cabelos desprendendo em minhas mãos
Como é triste não sentir qualquer batida
No lugar que te pulsava um coração.

Inda sinto a maciez da tua boca
Inda posso encaixar-me em tuas curvas
Pra arrancar-te um abraço quanta força
Aceitar que esta vez será a última.

Eu não posso devolver-te para terra
Não foi esta e sim meus braços tua morada
Que minha morte me condene a dor eterna
Teu amor que era o dono da minha alma...

Vanessa Rodrigues

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

MENTIRAS



Como posso lhe dizer que não senti naquela noite,
Se gritei como uma louca sob o peso do seu corpo?
Instiguei o seu desejo, caprichando em minha pose,
Mas menti em cada close que lhe mostrou um novo gozo.


Como posso confessar que não consigo ser tão ágil,
Se há anos eu confirmo que senti todo o prazer?
E agora revelar que nosso amor tornou-se frágil,
Porque me envolvi no hábito de ter medo de dizer...

(Vanessa Rodrigues)

DESEJOS INCONTROLÁVEIS



Quando meu corpo sente o seu chegar,
Quando seu ventre vem se aconchegar no meu,
Meus pelos se arrepiam entre os seus,
Seus gestos se confundem com os meus.


Quando a enlaço entre minhas coxas,
Quando minhas mãos percorrem suas curvas,
Toda sua alma se insinua,
Toda minha essência clama pela sua.


Quando meu ventre sente a sua força,
Quando minha boca fica louca por você,
Seus seios se arrepiam de prazer,
Meus gritos não mais sabem se conter...

(Vanessa Rodrigues)

INTACTA



Não toques os meus seios com teus seios,
Nem provoques minha boca com tua boca.
Afasta tua carne dos meus pelos,
Desfaze essa face de afoita.


Menina, não provoques minha essência
Que posso devorar tua castidade.
Não queiras me vencer por eloqüência,
Não tenho vocação pra santidade...

(Vanessa Rodrigues)

segunda-feira, 21 de março de 2011

PASSARELA



Ela desfila em meu coração
Pisando forte, garantindo que marcou
Em passos rasos, quando fala em solidão,
E mais profundos se deseja meu amor.

Ela hesita quando pisa em minha cama,
Oscilando entre o corpo e o coração,
Desejando penetrar quem tanto ama,
Receosa de mostrar-se um furacão.

Ela pisa submissa em minha vida,
Mas tão logo se transforma em fortaleza,
Dominando os caminhos da minha ida,
Usurpando do meu peito a realeza...

Vanessa Rodrigues.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

VADIA



Ela não mais me engana
De tão leviana não soube fingir
Quis se fazer de cigana
A todos engana
Exceto a mim.
Sua inocência é charme
Ela é bola na rede
Querendo passar
Antes que ela me ache
A jogo na trave
Não vai penetrar.
Ela é a musa do dia
Da tarde, da noite, de toda manhã.
Ela se faz poesia
Tira minha alegria
Ferida malsã.
Ela é mais que perfeita
Escorre na veia sua perfeição
Ela me tece na teia
Me faz prisioneira em seu coração...


(Vanessa Rodrigues)

ESCORREGADIA



Você veio cheia de gás,
Querendo mais, se auto firmando,
Fez um escarcéu na minha vida
Deixou-me perdida
Debaixo dos panos.
Não pode ter sido engano
Você me queria, eu bem que sentia
O seu olhar me fitando,
Sua boca salivando
Em plena luz do dia.
Você falou dos meus seios,
Da minha barriga,
Da nossa nudez.
Disse que não tinha medo,
Ter-me em segredo
Era estupidez.
Agora fica inibida
Com minha investida
E foge de mim.
Faz-se de desentendida,
Mas inocente ou bandida
Eu a vou possuir...


(Vanessa Rodrigues)

sábado, 1 de janeiro de 2011

MINHAS LÁGRIMAS



Dos meus olhos caem as desilusões,
Dores que reinaram em uma vida,
Ríspidas e insignes sensações,
Que deixaram-me tão vazia e perdida.
Dos meus olhos caem as gotas de saudade,
Daquilo que amei e me perdi,
Da alma que deixei na castidade,
Do corpo que tanto prostituí.
Dos meus olhos caem as fúrias de um passado,
Que vivi sem nem saber o que fazer,
Dos momentos que deixei por serem ingratos,
Dos abraços que não soube compreender...


Vanessa Rodrigues.