Gosto quando ele me sente De uma forma nem tão conveniente E me faz submissa aos seus gestos machistas Que de forma precisa devora-me as vísceras.
Gosto quando ele devasso me desmonta incauto Ofegando-se, louco, tremulo e exausto Despertando-me berros e gemidos impuros Com os olhos vendados e o corpo sem rumo.
Gosto quando ele nu, me desnuda em prazer Desvendando-me, certo de me ser importante E se entrega em êxtase contemplando-me amante.
Gosto quando ele se impõe, e eu devo ceder Entregando-me louca e suada para sentir delirante Para vive-lo constante os infindos instantes...
Por trás desse rosto de anjo Se esconde um ente profano Que julga-se sobre-humano Ao ver-se superior. Por trás desses olhos azuis Vive uma saga bandida De alguém que viveu na surdina Desdita e sem amor...
Eu amo alguém que não vem me encontrar Nem deixa o preço dos meus beijos sobre a cama Não mata a cede do meu corpo que inflama Na ânsia louca de sentir-se penetrar.
Eu amo um homem que não sente nos meus beijos Os apelos de quem quer ser invadida Os anseios envolvidos de saliva Que a cada prisma se desvenda em segredos.
Eu amo certa de querê-lo eternamente Não mais cliente dos meus sonhos de princesa Nem tão demente de sabê-lo em realeza.
Eu amo presa aos preceitos que me vencem De fazer-me transparente na soberba E revive-lo em momentos de tristezas...
Ah, se eu soubesse quem sou... Seria o fim desse eterno complô Entre o mundo que me moldou E aquele que quer brotar de mim. Ah, se eu pudesse optar Se a escolha fosse certa Não mais sofreria com essa incerta opção Em que me encontro presa. Jorraria de mim a vadiagem Sem pudores e libertinagem Apenas a liberdade Que nunca possuí...
Por tantos anos eu amei sozinha Sentindo a minha pele Acariciando meus seios Pulsando em meus dedos Que desvendei os meus segredos Tornando-me parceira da minha excitação. Por tantos anos vivi nessa prisão Que não gozo senão na minha mão E não gosto de amar em vão A não ser que sua intenção Seja dar-se na pretensão De livrar-me da prisão Para jorrar em outra mão que não a minha...
Dentro de mim Vive uma loba faminta Feroz e lasciva Desejosa de emergir E dominar meus instintos passivos Que por anos foram contidos Por meu medo de sentir.
Dentro de mim Há uma fera cativa Que adormece reprimida Pelos temores meus De torná-la presente E ver-me dependente Desse ser impertinente Que habita no meu Eu.
Quero sentir o toque suave da escuridão Na noite que enlaça a imensidão Desses mistérios seus. Quero viver no vão profundo Do seu peito obscuro, Que bate saudade e maldição. Quero morrer na correnteza incontida De sua verdade invertida De viver uma vida que é minha, Na esperança de vê-la tolhida Por sua maldade excessiva, De feitos envoltos de malícia De um ser que não vive na vida, Para viver na surdina Da sombra esquecida Que vive perdida, Louca e lasciva, Dentro de mim...
Meu corpo atende ao chamado, De outro corpo alienado, Em seus preceitos jorrados, Na cara desse ser animado, Contente de ser covardemente Penetrado, Com seus trejeitos De mostro desordenado, Sedento e incendiado De desejo de ser saciado Por meu corpo agora derrotado, Por seu elemento ouriçado Pronto para ter derramado O sêmen dentro de mim. Que agora brado molhada, Puta e enlameada De gozo e suor. Com estaca na carne E dedo no ventre Gemendo contente Galopando loucamente Seu pênis Pulsando no ventre Chupando teu sêmen...
Ela tinha nos lábios um desejo incontrolável de saber Sobre as mãos uma pele suave, suada, gotejante de prazer Ela tinha ao seu lado outro corpo de tão raro alvorecer E nas lembranças o mesmo instante que acabara de nascer.
Ela sentia outros seios nos seus seios e seus anseios saciados Um outro corpo no seu corpo o mesmo corpo quase um sopro arrepiado Aquele jogo a seduzia e lhe fazia enlouquecer A mesma pele feminina essa igualdade de poder.
As suas curvas desnudas excediam a perfeição Sua língua percorria um labirinto de infinita sensação Era tanta afinidade, cumplicidade, necessidade de aprender Que foram ao céu e ao inferno ao mesmo tempo extasiadas de prazer...